Pirico Pipo!®, ou o pai babado.

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“Pai babado” foi a expressão que mais li nos comentários ao texto que escrevi na semana passada. Se olharmos bem para a fotografia desta semana, será fácil perceber porquê. Elogiar alguém que nos é querido é algo que fazemos com naturalidade, ou pelo menos devia sê-lo. É daquelas coisas que a mim não me custam nada, e elogiar o meu puto passou a fazer parte do meu dia a dia. Pirico Pipo!®, és um espectáculo!

A baba tem sido uma constante nos últimos dois anos e troca o passo, mas principalmente desde que começou a haver interacção entre pai e filho. Eu não gosto mais do Isaac agora do que gostava quando ele passava os dias deitado a peidar-se, a chorar das cólicas e a pedir mama. Gosto o mesmo, mas agora sabe melhor.

Voltando à baba: sim, tem sido muita. A quantidade chegou a trâmites nunca antes conhecidos e, após concílio de emergência com a minha mulher (aquele feérico ser que, durante nove meses, chocou a maravilha da natureza que agora temos nas nossas vidas), chegámos à conclusão que precisamos urgentemente de um reservatório qualquer que minimize a autêntica enxurrada de mucosidade aquosa que brota incessantemente da minha boca.

Não conseguimos.

Isto tudo para dizer que a interacção ajuda muito na relação que um pai tem com um filho, e na nossa ajudou muito. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que percebi nele o reconhecimento da minha voz. Felizmente, esse momento ficou registado em vídeo, e já perdi a conta à quantidade de vezes que vi o meu filho a assustar-se ao ouvir o meu “OLÁ ISAAC!” (eu queria dizer de forma fofinha, mas era muito cedo e a voz ainda se me escapava). De modo que o pequenote deu um pulinho no berço, e muito provavelmente um pum também, pois ficou deveras assustado com aquela visita inesperada e, com tanto esperneio, já se sabe que acaba sempre por se escapulir um rasteirinho.

Flatulências à parte, o que importa aqui reter, e corro o risco de me repetir, foi o reconhecimento. Foi nesse dia que percebi que o meu filho não só sabia da minha existência, como reagia à mesma. A forma como o fazia era irrelevante. O importante é que o fazia e que eu, enquanto pai, passei a ter a missão de estar presente e de lhe transmitir que, pelo menos até chegar à idade de receber mesada, pode sempre contar comigo.

Seria muito difícil, e provavelmente aborrecido, passar para um texto que se quer curto todas as brincadeiras que pai e filho já tiveram desde que este último começou a correr (sim, eu acho que os miúdos começam todos a correr, nós adultos é que temos a visão deturpada), pelo que nem sequer vou tentar fazê-lo.

O Isaac, como escorpião que é, não foi fácil de conquistar. Mais difícil foi, também, pelo facto de o pai ser um caranguejo piegas. Muitas foram as vezes que foi o pai a prender o burro, porque o filho não prestou atenção ao pai. Aliás, agora que penso nisso, acho que já prendi mais vezes o burro do que ele! Mas agora já estou melhor. Demorei algum tempo, mas acabei por aprender que o meu filhote tem uma coisa chamada individualidade, e outra chamada livre-arbítrio. Assim, ele que me preste atenção quando mais lhe aprouver, que eu tentarei fazer o mesmo.

Teimosia. É uma qualidade que possuímos os dois e em abundância, com a diferença de que a minha já tem barba, e pica. E essa é uma entre tantas outras alegrias que agora tenho: Sempre que faço a barba, e assim que ele nota, rapidamente começa a engrenar o seu movimento desajeitado e acelera na minha direcção. Quando chega ao pé de mim, abraça-me e diz: O Papá fez a baba!

A importância que a minha barba e a sua feitura passaram a ter deixa-me deslumbrado com esta coisa a que chamamos vida. Esta, a vida, está realmente nos pormenores, e os deste tipo, que o Isaac agora tem quase todos os dias, são os que me fazem acreditar na felicidade. Escusado será dizer que passei a barbear-me com mais regularidade.

É isso, e é ver o meu Pirico Pipo!® correr todo nu pela casa, a fingir que não quer que eu o apanhe para lhe dar a banhoca.

Por falar em banhoca…

Até para a semana!

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Post Scriptum – Na fotografia desta semana, temos o Isaac a interagir com o “bábu”, também conhecido como tablet. Quiçá fale sobre isso na próxima semana.

 

6 Replies to “Pirico Pipo!®, ou o pai babado.”

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